Editoras demitindo em massa, veículos midiáticos consolidados encerrando as atividades e reportagens cada vez mais reduzidas. Trata-se de um cenário que tira o sono dos profissionais da comunicação, especialmente estudantes e recém-graduados. Porém, o que muitos consideram um período de crise, pode ser enfrentado como uma era de oportunidades. Apesar de alarmante, a consolidação da internet como a principal plataforma para veicular informações abre as portas para a criatividade e para o empreendedorismo.
Esse foi o tema abordado na manhã de quarta-feira, 2 de setembro, na 23ª Semana de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero. Mediado por Rafael Grohmann, docente da instituição, o debate contou com a fala de quatro convidados: Roseli Fígaro, professora da ECA-USP especialista em análise do discurso; Carlos Henrique Carvalho, presidente da Associação Brasileira das Agências de Comunicação; Leandro Beguoci, jornalista casperiano, fundador e editor-chefe da agência F451 e do projeto OutraCidade; e Daniel Fernandes, editor do Estadão PME.
Dos quatro palestrantes, apenas Leandro Beguoci apresentou uma perspectiva positiva quanto ao momento que enfrenta o jornalismo e a criatividade nos dias atuais. Ele discorreu, em sua fala inicial, sobre os benefícios do empreendedorismo na comunicação para os profissionais e, principalmente, sobre como é possível empreender e inovar mesmo dentro de uma estrutura empresarial já consolidada. “Essa é a melhor época da história para fazer jornalismo. A quantidade de coisas criadas ao longo dos últimos anos para facilitar e aperfeiçoar a comunicação é enorme”.
Carlos Henrique de Carvalho, o presidente da ABRACOM, fez questão de destacar, antes de iniciar sua fala, que não se considera jornalista. Especialista em comunicação corporativa, ele explica por que: “O Jornalismo pressupõe busca de fontes contraditórias, informações positivas e negativas e, principalmente, pensamento crítico. A comunicação corporativa representa os interesses de uma empresa, logo, não está fazendo jornalismo”. Porém, ao mesmo tempo, não deixou de considerar a assessoria de imprensa e a comunicação empresarial como grandes oportunidades para os jornalistas se inserirem no mercado de trabalho e, principalmente, empreenderem,
“Nem sempre o futuro é tão sombrio como pode parecer”, ressaltou Leandro, ao que a professora Roseli Fígaro completou: “Uma boa história é sempre de interesse humano, consequentemente, sempre haverá espaço para a prática do bom jornalismo”. A professora discursou de forma a encorajar os comunicadores em formação, presentes na plateia, a desenvolver novas plataformas e novas formas de exercer a profissão. “Se as coisas não forem reestruturadas, elas morrem. Se as coisas não têm modelo de negócios com começo, meio e fim, elas morrem”, concluiu Leandro Beguoci.
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